Supernovas
Em estrelas novas a força da gravidade
é responsável por dar partida a ignição ao pressionar com enorme intensidade os
átomos de hidrogênio no núcleo da jovem estrela. Estes se fundem, dando origem
ao hélio e dissipando 0,007% da massa do hidrogênio como furiosa energia livre,
emitindo fótons e diversas radiações. Esse processo de fusão gera luz e calor
que, por sua vez, exerce a
contra-pressão que permite ao núcleo estelar suportar o enorme peso das camadas
mais externas da estrela. Ao consumir-se todo o hidrogênio, a gravidade
continua comprimindo o núcleo estelar. A temperatura sobe para 100 milhões de
graus, fazendo com que núcleos de hélio 2 se fundam e produzam carbono 6. Ao
consumir todo o hélio, a estrela torna-se uma anã branca que se apaga
silenciosamente. Mas se a anã branca consegue sugar uma estrela que esteja
perto, capturando quantidades expressivas de nova matéria, reacende-se a fusão
estelar terminando por uma explosão que fragmenta a estrela, projetando massas,
gases e radiações, fulgurando então como uma supernova do tipo Ia. Brilha
bilhões de vezes mais que o Sol, brilha mais do que toda sua galáxia durante
dias ou semanas. Na origem desta bola de fogo refulgente estão átomos de níquel
28 acumulados até então.
Estrelas com massa maior que oito vezes a do Sol
tendem a expandir-se durante dez milhões de anos, tornando-se uma supergigante
vermelha. Devido ao peso esmagador das camadas externas agindo sobre o núcleo
estelar, as reações de fusão do hidrogênio 1 em hélio 2 continuam transformando
hélio 2 em carbono 6.
Em seiscentos
anos, o carbono se condensa em oxigênio 8 e deste para o silício 14 em seis
meses. Do silício, as enormes pressões e as elevadíssimas temperaturas da ordem
de bilhões de graus sintetizam o ferro 26 em um dia. Os átomos de ferro ao se
constituírem, consomem energia em vez de criá-la. O processo continua gerando,
sucessivamente níquel 28, cobre 29, zinco 30, prata 47, ouro 79, mercúrio 80,
chumbo 82, tório 90 e urânio 92, entre outros elementos químicos pesados.
Tamanha produção de elementos químicos variados consome quantidades fantásticas
de energia que não mais conseguem supercompensar o peso das camadas externas da
supergigante vermelha. Esta sofre um colabamento, entrando seu núcleo em
colapso, seguido de estrepitosa explosão.
Por vezes, as
elevadas temperaturas aliadas a
fabulosa pressão presente no núcleo da estrela, força elétrons
fundirem-se aos prótons, formando nêutrons.
Em 1937, os cosmólogos Zwicky e Baade tiveram a exata
percepção de como se constitui e como funcionam as estrelas de nêutrons. Este
processo tende a acumular nêutrons em quantidade a tal ponto que a estrela
reduz-se a uma diminuta estrela de nêutrons, de poucas dezenas de quilômetros
de diâmetro, cuja densidade alcança bilhões de toneladas por colher de chá.
Descobriu-se que tais estrelas pulsam regularmente, emitindo ondas de rádio.
Passaram a ser conhecidas como pulsares.
Cada estrela pode brilhar por bilhões de anos, mas só
morre uma vez. Certas estrelas agonizantes apagam-se simplesmente. Outras
explodem fulgurantemente. Calcula-se que numa galáxia típica, composta por
centenas de bilhões de estrelas, uma supernova ocorrerá a cada duzentos ou
trezentos anos. É raro, claro. Mas trata-se de cento e vinte e cinco a cento e quarenta bilhões de galáxias.
Presume-se que, a cada segundo, em algum lugar do Universo, espouca uma
supernova. A nossa, a que deu a massa-matéria
da Terra, a que nos constituiu,
teve seu ponto de fulguração – explosão – despedaçamento –, entre 4.6 a 4.7 bilhões
de anos , lá atrás.
As supernovas do tipo Ia explodem sempre de mesma
maneira, com uma massa crítica padrão. Seu brilho funciona como “vela-padrão”
para cálculos astronômicos. Tornam-se cefeídas, estrelas de brilho variável,
tornando-se indicadores confiáveis para a medida da distancia entre as
galáxias.
Em 1054, uma explosão criou a Nebulosa de Câncer, e
foi registrada por astrônomos chineses. Outra explosão ocorreu em 1604 e foi
presenciada por Kepler.
Outra ainda, em 1987, brilhou na Grande Nuvem de
Magalhães a 169.000 anos-luz da Terra.
Fred Hoyle, aquele cosmologista criador de
controvérsias, que, de gozação, criou o termo Big Bang durante um programa de
rádio em 1952, desenvolveu o oportuno conceito de nucleossíntese, em 1957. Segundo Hoyle, uma estrela em explosão,
uma supernova, geraria temperaturas altíssimas, capazes de fundir os átomos dos
elementos químicos mais simples em sucessivos números atômicos dos elementos
químicos cada vez mais pesados.
Sabemos que, de regra, estrelas não passam
de fornos de cozimento de hidrogênio, transformando-o ao longo de bilhões de
anos em hélio. Nossa origem provém dos variados elementos químicos forjados no
interior de uma especifica supernova que extinguiu-se e estilhaçou-se há 4.7 bilhões de anos. Nossa supernova
estilhaçou-se em miríades de gáses, poeira, radiações e grãos de matéria
diferenciada, petrosa, pesada. Assim, nossa constituição biológica proveio da
fornalha de adensamento dos átomos a elevadíssimas temperaturas e sob imensas
pressões gravitacionais, ocorrendo ao longo de milhões de anos. Nós e todos os
demais seres vivos terrestres somos filhos de uma estrela. Testemunhos
restantes da existência de nossa mãe estelar de há muito desaparecida, o
planeta Terra, assim como Marte, Vênus e Mercúrio são cacos, restos de nossa
supernova ancestral.
Ela teria cerca de 24 bilhões de quilômetros de
diâmetro. Quase toda sua massa - 99,9% da massa do sistema solar- constituiu o
Sol. Hidrogênio atrai hidrogênio avassaladoramente. Do material pesado remanescente
foram se atraindo e se juntando, mediante forças gravitacionas e eletrostáticas, formando aglutinados de matéria.
Cada vez mais volumosos. Consequentemente, com maior poder gravitacional, até
ficarem grandes o bastante para serem considerados planetesimais. A Terra
continuou sendo bombardeada por cometas, meteoros e detritos cósmicos, que se
acrescentaram a seu volume e forjaram seu poderio gravitacional.
Há 4.4
bilhões de anos, um objeto do tamanho de Marte colidiu e incorporou-se à Terra.
No entanto, sabe-se pelas leis da Física- a mera mecânica de Galileu e de
Newton- que uma esfera ao impactar outra,
faz esta expelir matéria quase equivalente para além da fronteira da
impactada. Surgiu assim uma esfera satélite, a Lua, proveniente da crosta
terrestre, uma vez que a Lua contém pouco ferro, por sua vez abundante no
centro de nosso planeta.
Do magma fundido presente no interior da
Terra, por meio dos movimentos de
convecção, expeliu-se gases como metano, dióxido de carbono, nitrogênio e enxofre, criando uma atmosfera protetora
sobre o planeta. A água apareceu há 4 bilhões de anos. Foi nesse ensopado
insalubre, nessa lama primacial, que a vida fremiu sob a forma de bactérias. A
vida, insistente e resiliente como ela só, conseguiu ir em frente, em precário
estado de constante instabilidade, mantida por consumir grandes quantidades de
energia, abundantemente disponíveis pela luz solar.
A profícua associação entre a vigência
das leis da natureza e a ocorrência de eventos estocásticos, aleatórios,
surgidos do caos por efeito de estranhos atratores, por acaso, configurou a
criação de toda diversidade e de toda complexidade da vida presente no Universo.
O tempo é a substância de que somos
feitos. O mundo é desgraçadamente real. E desaba quando menos se espera. Não há
o consolo do eterno. O Universo está perenemente em transição de fase.
Preciso escrever para fixar. Para
ficar. Preciso rapidamente publicar para ser eu, Marco Aurélio. Porque,
desgraçadamente, sou finito, sou Baggio.
A vida é um estado dissipativo de
energia afastado do equilíbrio, cuja única aposta é viver e seguir adiante.
Rumo a diversidade e a complexidade e a sobrevivência. Vida quer deixar
sucessores.
Nos 600 milhões de anos seguintes à
sua constituição , a Terra foi fustigada por todo tipo de
escombros cósmicos, incorporando-os ao
seu volume. A presença da atmosfera, a temperatura da superfície estabilizada,
a água líquida abundante, permitiram o aparecimento da vida em nosso planeta,
postado à distância correta em relação ao Sol, recebendo dele confiável e
generoso suprimento de energia limpa e zás: na lama primordial, uma minúscula
combinação fecunda de substancias químicas orgânicas fremiu e tornou-se viva.
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